Haeckel Cabral Moraes explica que a lipoabdominoplastia evoluiu a partir da compreensão de que o abdômen não pode ser tratado como um conjunto de problemas isolados. Flacidez, excesso de pele, gordura localizada e diástase muscular costumam coexistir e influenciar o resultado final quando analisados de forma fragmentada. A abordagem moderna parte de uma leitura integrada dessas estruturas, permitindo que a indicação cirúrgica seja construída com mais precisão e menor risco de frustração estética ou funcional.
Essa mudança de perspectiva afasta a ideia de que a retirada de gordura seja suficiente para redefinir o contorno abdominal. Em casos com flacidez importante ou afastamento muscular, a lipoaspiração isolada tende a revelar limitações evidentes. Por isso, o planejamento atual busca combinar técnicas de maneira estratégica, respeitando vascularização, capacidade de retração da pele e estabilidade da parede abdominal.
Flacidez abdominal e limites da lipoaspiração isolada
A flacidez abdominal está frequentemente relacionada a gestações, variações significativas de peso e perda progressiva de elasticidade da pele. Nesses cenários, a pele excedente não responde à retirada de gordura da mesma forma que o tecido adiposo. Assim, insistir em lipoaspiração quando o principal fator limitante é cutâneo pode resultar em irregularidades, aspecto envelhecido e piora do contorno.
Conforme nota Haeckel Cabral Moraes, identificar o grau de elasticidade da pele é decisivo para definir a estratégia. Quando a capacidade de retração é reduzida, a lipoabdominoplastia passa a ser considerada por permitir a remoção do excesso cutâneo associada à reorganização do volume. Essa combinação tende a oferecer um resultado mais coerente e previsível, desde que indicada de forma criteriosa.
Diástase e o componente estrutural do abdômen
A diástase dos músculos retos abdominais representa um afastamento da musculatura na linha média e pode gerar abaulamento mesmo em pacientes com pouca gordura. Esse abaulamento costuma ser interpretado como excesso de volume, quando, na verdade, tem origem estrutural. Por conseguinte, a correção do contorno depende de reconhecer se a queixa envolve apenas tecido adiposo ou se existe comprometimento muscular relevante.

Haeckel Cabral Moraes avalia que a correção da diástase, quando indicada, contribui para reorganizar a parede abdominal e melhorar o formato do abdômen em repouso e em movimento. Ainda assim, nem todo grau de afastamento exige intervenção cirúrgica, pois intensidade da diástase, sintomas associados e expectativa do paciente precisam ser ponderados. Dessa forma, a decisão se apoia em critérios técnicos e não apenas na aparência externa.
O que caracteriza a abordagem moderna na lipoabdominoplastia
A abordagem moderna se diferencia por técnicas que preservam melhor a vascularização dos tecidos e reduzem o risco de complicações, especialmente quando há necessidade de descolamento mais amplo. Estratégias de descolamento seletivo, integração cuidadosa da lipoaspiração e controle da tensão na sutura fazem parte desse conceito, contribuindo para cicatrizes mais estáveis e menor incidência de irregularidades.
Segundo a leitura de Haeckel Cabral Moraes, a modernização também está no planejamento, que considera o abdômen de forma tridimensional e avalia o impacto da correção muscular sobre o contorno final. A associação de procedimentos só se justifica quando existe indicação clara, pois a soma de etapas sem critério aumenta riscos e compromete a recuperação. Assim, a técnica deve se adaptar ao paciente, e não o contrário.
Recuperação e consolidação do resultado ao longo do tempo
A recuperação após a lipoabdominoplastia envolve controle de edema, uso de cinta conforme orientação, cuidado com a cicatriz e retorno gradual às atividades. A evolução costuma ser progressiva e varia conforme extensão da cirurgia, presença de correção muscular e qualidade dos tecidos. Disciplina no pós-operatório e atenção a sinais inflamatórios exercem papel central na qualidade do resultado.
Haeckel Cabral Moraes ressalta que o contorno abdominal se consolida com a acomodação dos tecidos e o amadurecimento cicatricial, processo que pode levar meses. Manter peso estável, adotar hábitos que favoreçam cicatrização e realizar acompanhamento regular ajudam a proteger o resultado. Quando a indicação é correta e os limites anatômicos são respeitados, a lipoabdominoplastia tende a oferecer um desfecho mais equilibrado, seguro e duradouro.
Autor: Melana Yre

