Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, destaca como ambientes com a mesma metragem podem produzir sensações completamente diferentes. A decoração participa dessa percepção ao combinar cores, iluminação, mobiliário, espelhos e áreas livres de forma estratégica. Mais do que escolher objetos, decorar envolve organizar o espaço para influenciar sua leitura visual, valorizar cada dimensão e proporcionar uma experiência mais funcional e equilibrada.
Confira mais detalhes a seguir!
Por que a metragem não determina sozinha a sensação de espaço?
A percepção de amplitude não depende exclusivamente das dimensões físicas de um cômodo. Estudos sobre percepção espacial mostram que o mobiliário pode modificar a maneira como altura e sensação de espaço são avaliadas por quem observa o ambiente. Em experimentos com modelos e ambientes virtuais, a presença e a disposição dos móveis influenciaram diretamente essas avaliações.
Isso ajuda a explicar por que dois cômodos com medidas semelhantes podem parecer completamente diferentes. Um ambiente preenchido por móveis muito volumosos, objetos em excesso e circulação limitada tende a transmitir maior sensação de ocupação. Já uma composição que preserva áreas livres e estabelece relações proporcionais entre os elementos facilita a leitura do espaço.
Daugliesi Giacomasi Souza considera que essa percepção precisa fazer parte das escolhas decorativas desde o início. A questão não é simplesmente fazer um ambiente pequeno parecer grande, mas utilizar os recursos disponíveis para que cada metro quadrado seja visualmente bem aproveitado. A disposição dos móveis, a escolha das cores, a iluminação e a proporção dos elementos podem contribuir para criar uma composição mais equilibrada, evitando que o espaço pareça excessivamente carregado ou desorganizado.
Como móveis e proporções interferem na amplitude?
A escolha dos móveis é uma das decisões que mais altera a leitura de um ambiente. Peças excessivamente grandes podem comprometer a circulação e criar pontos de bloqueio visual, enquanto móveis pequenos demais também podem produzir um resultado desproporcional. O equilíbrio está em relacionar dimensões, quantidade de peças e espaço disponível. Em ambientes compactos, esse cuidado se torna ainda mais importante, porque poucos centímetros podem fazer diferença na circulação e na sensação de amplitude.

A distribuição também importa, frisa Daugliesi Giacomasi Souza. Deixar passagens claras, evitar o excesso de elementos e posicionar peças de maneira que não interrompam portas, janelas ou perspectivas contribui para preservar a continuidade visual. Pesquisas sobre mobiliário mostram que a disposição dos objetos interfere na percepção das dimensões internas, não apenas na funcionalidade. Quando os espaços de passagem são preservados e os móveis estabelecem relações coerentes entre si, o ambiente tende a apresentar uma leitura mais fluida, sem a sensação de que cada área está visualmente separada das demais.
Para a fundadora da DGdecor, essa análise reforça uma ideia importante: escolher um móvel isoladamente não basta. Sofá, mesa, tapete, estante e objetos decorativos precisam ser avaliados como partes de uma composição. A proporção entre eles determina quanto do ambiente permanece visível e como o olhar percorre o espaço. Essa visão conjunta também facilita a identificação de peças que podem ser substituídas, reposicionadas ou eliminadas, permitindo que a decoração cumpra sua função sem comprometer a percepção de espaço.
Qual é o papel das cores e da iluminação?
De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, as superfícies também participam da percepção de amplitude. Cores, níveis de luminosidade e contraste podem modificar a maneira como paredes, teto e limites do ambiente são percebidos. Pesquisas sobre iluminação mostram que a distribuição da luz pode influenciar a sensação de profundidade, altura e largura.
Na prática, trabalhar diferentes pontos de iluminação pode valorizar paredes, elementos arquitetônicos e áreas específicas, enquanto uma distribuição mais uniforme da luz reduz regiões visualmente esquecidas. As cores complementam esse efeito, pois superfícies claras podem favorecer uma leitura mais contínua e contrastes estratégicos direcionam o olhar, mostrando que a decoração de ambientes pequenos não depende de uma única regra, mas da combinação equilibrada de diferentes recursos.
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