Decisão unânime da Justiça Eleitoral impede, por enquanto, retorno do ex-governador à disputa; defesa ainda pode recorrer ao TSE.
O cenário político do Rio de Janeiro ganhou uma reviravolta importante nos últimos dias, e a pergunta que passou a circular entre eleitores é direta: Anthony Garotinho ainda pode disputar o Governo do Estado em 2026? Na sexta-feira (11), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu por unanimidade o registro da candidatura do ex-governador, que tentava voltar ao Palácio Guanabara pelo Republicanos. A decisão foi tomada com base em uma condenação por improbidade administrativa e aponta a ausência de condição de elegibilidade e a existência de causa de inelegibilidade.
A decisão, porém, não encerra imediatamente a história. A defesa de Garotinho pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que mantém aberta a disputa judicial sobre sua candidatura. Para o eleitor fluminense, o caso interessa não apenas por envolver um nome conhecido da política estadual, mas porque ocorre justamente em uma eleição marcada por pesquisas recentes, crescimento de adversários e mudanças no tabuleiro eleitoral.
Por que o TRE-RJ barrou a candidatura de Garotinho?
O ponto central da decisão está em uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa que, segundo o TRE-RJ, envolveu dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros. A Corte eleitoral entendeu que a situação jurídica decorrente dessa condenação impede o registro da candidatura neste momento. A decisão foi unânime entre os integrantes do colegiado e se baseou tanto na suspensão dos direitos políticos quanto na aplicação da hipótese de inelegibilidade prevista na legislação eleitoral.
O detalhe que merece atenção é que a Justiça Eleitoral não está simplesmente avaliando se Garotinho tem apoio popular ou se pretende concorrer ao cargo. O registro de candidatura depende do cumprimento de requisitos legais, e o TRE-RJ afirmou que a condenação produz efeitos que atingem diretamente a possibilidade de disputar uma eleição. A própria Corte destacou que, sem direitos políticos, uma pessoa não pode votar nem ser votada, além de apontar a incidência da Lei da Ficha Limpa no caso analisado.
A defesa, por sua vez, sustenta uma interpretação diferente sobre o período de suspensão dos direitos políticos e pretende recorrer. É justamente aí que entra uma diferença importante para quem acompanha a eleição: ter o registro indeferido pelo TRE-RJ não significa necessariamente que todos os caminhos judiciais terminaram. O processo ainda pode chegar ao TSE, que poderá analisar o recurso e decidir se mantém ou modifica o entendimento adotado pela Justiça Eleitoral fluminense.
Para o eleitor carioca, isso significa que não é recomendável tratar o nome de Garotinho simplesmente como “fora da eleição” de maneira definitiva enquanto houver recurso pendente. O cenário jurídico ainda pode mudar, e a própria decisão do TRE-RJ prevê a possibilidade de recurso ao tribunal superior. Até que exista uma definição final, portanto, a situação do candidato deve ser acompanhada como uma disputa judicial em andamento, e não como uma candidatura definitivamente encerrada.
Como a decisão mexe com a disputa pelo Governo do Rio?
A decisão acontece em um momento de intensa movimentação eleitoral no estado. Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro mostrou Eduardo Paes com 43% das intenções de voto para governador, seguido por Douglas Ruas, com 25%, enquanto Garotinho aparecia com 10%. O levantamento foi realizado entre 8 e 11 de setembro, com 1.204 eleitores, e registrou margem de erro de três pontos percentuais.
Outro levantamento recente também mostra que a corrida está longe de ser um passeio no calçadão. A pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro apontou Paes com 39%, Ruas com 18% e Garotinho com 8%, enquanto uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em 14 de setembro colocou Paes em 35% e Ruas em 25%. Os números não são diretamente comparáveis sem considerar metodologia, período de campo e universo de entrevistados, mas todos ajudam a mostrar que a disputa pelo Palácio Guanabara está em movimento.
A saída temporária de Garotinho do cenário oficial de candidaturas pode alterar principalmente a distribuição de votos entre os demais nomes. Isso ocorre porque uma parcela do eleitorado que declarou preferência pelo ex-governador precisará avaliar alternativas caso a candidatura não seja autorizada posteriormente. O efeito pode ser relevante em uma eleição estadual na qual a capital concentra enorme peso eleitoral, mas a Baixada Fluminense, o interior e as regiões Norte e Noroeste também têm papel decisivo na formação do resultado final.
Para o carioca, a disputa pelo Governo do Estado não é uma conversa distante restrita ao Palácio Guanabara. O governador influencia áreas diretamente ligadas à rotina da população, como segurança pública, Polícia Civil e Militar, hospitais estaduais, infraestrutura, educação e articulação com municípios. Por isso, uma mudança no quadro eleitoral pode ter reflexos futuros em temas que aparecem diariamente no cotidiano da cidade, desde deslocamentos e atendimento de saúde até políticas para a Região Metropolitana.
O que acontece agora com Garotinho e com a eleição no Rio?
O próximo capítulo depende do caminho que a defesa escolher e da análise que poderá ser feita pelo TSE. Enquanto o recurso não for julgado, o caso continuará produzindo incerteza jurídica sobre a permanência de Garotinho na corrida eleitoral. Para o eleitor, o mais importante é separar três coisas que frequentemente acabam misturadas durante uma campanha: intenção de voto, registro eleitoral e decisão judicial definitiva.
Também chama atenção o fato de o TRE-RJ ter tomado, nos últimos dias, outras decisões relacionadas a registros de candidaturas. Em 11 de setembro, por exemplo, a Corte indeferiu registros de outros quatro candidatos por questões relacionadas a vínculos com organizações criminosas, enquanto decisões anteriores da semana também atingiram candidaturas proporcionais. O movimento mostra que a Justiça Eleitoral fluminense está analisando de forma intensa as condições jurídicas dos candidatos antes do avanço da campanha.
Para quem vai votar no Rio, a recomendação prática é acompanhar a situação oficial dos candidatos antes de considerar qualquer nome definitivamente confirmado ou excluído. A eleição de 2026 ainda está em andamento, e decisões judiciais podem modificar a composição das chapas e a maneira como os partidos organizam suas campanhas. No caso de Garotinho, especificamente, a decisão do TRE-RJ representa uma barreira importante, mas o recurso ao TSE mantém a possibilidade de novos capítulos.
Enquanto isso, o eleitor fluminense terá uma tarefa que vai muito além de escolher entre nomes conhecidos. Será preciso observar propostas para segurança, saúde, transporte, educação, emprego e desenvolvimento econômico, além de acompanhar quem realmente apresenta condições jurídicas para disputar o cargo. No Rio, onde política e cotidiano costumam andar quase de mãos dadas, a disputa pelo Palácio Guanabara pode ter impacto direto na vida de milhões de pessoas.
A decisão do TRE-RJ, portanto, transforma a candidatura de Garotinho em um dos principais assuntos da eleição estadual neste momento. Por enquanto, o registro está indeferido, mas ainda cabe recurso ao TSE, e o cenário pode mudar conforme a Justiça Eleitoral avance na análise do caso.
Fontes: Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) · Datafolha sobre a disputa pelo Governo do RJ · Pesquisa Quaest sobre o Governo do Rio · Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 14 de setembro

