O Brasil entrou no radar dos órgãos de monitoramento climático diante da possibilidade de formação de um El Niño de intensidade muito forte entre a primavera e o verão de 2026–2027. Projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), indicam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance essa condição.
A atualização mais recente, divulgada em 10 de setembro de 2026, também estima 75% de chance de que o episódio esteja entre os mais intensos registrados desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro. O cenário pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes áreas do país, mas ainda deve ser interpretado como uma tendência probabilística, e não como uma previsão definitiva para cada cidade ou estado.
O que dizem as novas projeções sobre o El Niño
O acompanhamento do fenômeno vem sendo atualizado conforme novos dados oceânicos e atmosféricos são incorporados aos modelos climáticos. Em boletim publicado pelo INMET em 1º de setembro de 2026, o instituto já havia apontado mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre de setembro, outubro e novembro.
Na atualização seguinte, o INMET detalhou a evolução das projeções ao longo de 2026 e destacou a possibilidade de o evento figurar entre os mais fortes desde o início da série histórica considerada, em 1950. A intensidade projetada reforça a necessidade de acompanhamento por setores como defesa civil, agricultura, gestão hídrica e saúde.
Regiões que podem ter mais chuva ou estiagem
As projeções apontam possibilidade de precipitações acima da média no Sul do Brasil, com destaque para o Rio Grande do Sul. Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também podem registrar volumes superiores ao padrão em determinados períodos. Nesses locais, episódios de chuva intensa podem aumentar a atenção para alagamentos, inundações e deslizamentos, especialmente quando houver combinação entre solo saturado, relevo vulnerável e ocupação urbana.
Ao mesmo tempo, áreas do Norte, do Nordeste e do Brasil Central podem enfrentar chuvas abaixo do normal. A distribuição não significa que toda a região terá seca contínua ou que cada local apresentará o mesmo comportamento, mas indica uma tendência que pode pressionar reservatórios, atividades agrícolas e o abastecimento de água caso se prolongue.
O Sudeste, incluindo o estado do Rio de Janeiro, deve ser observado dentro desse quadro nacional. As projeções não permitem afirmar antecipadamente como cada município fluminense se comportará, mas mudanças nos padrões de chuva e temperatura podem afetar mobilidade, serviços públicos, produção rural e a prevenção de riscos em áreas urbanas.
Calor e queimadas entram no radar dos órgãos de monitoramento
Além da alteração no regime de chuvas, as estimativas indicam temperaturas elevadas em praticamente todo o território nacional. Em áreas que acumularem períodos de precipitação abaixo da média, o calor pode agravar a perda de umidade do solo e da vegetação, aumentando a vulnerabilidade a incêndios florestais e queimadas.
O prolongamento da seca na Amazônia Legal e no Pantanal é uma das preocupações destacadas pelos órgãos de monitoramento. Com solo e vegetação mais secos, o fogo pode encontrar condições favoráveis para se espalhar. A combinação entre estiagem, altas temperaturas e ventos torna essencial o acompanhamento de alertas oficiais e a adoção de medidas preventivas por moradores, produtores e autoridades locais.
Na agricultura, a irregularidade das chuvas pode dificultar o planejamento do plantio e elevar o risco de perdas em áreas dependentes de precipitações regulares. Já no setor de recursos hídricos, a alternância entre excesso de chuva em algumas regiões e déficit em outras exige atenção à operação de reservatórios, ao abastecimento e à preparação para eventos extremos.
Por que as previsões ainda podem mudar
O INMET ressalta que projeções climáticas são revisadas à medida que os modelos recebem novas informações. Por isso, a indicação de um El Niño muito forte não determina que todos os impactos previstos ocorrerão, nem permite definir com antecedência a intensidade de uma chuva, a duração de uma estiagem ou a temperatura de uma localidade específica.
Para a população, a recomendação é acompanhar atualizações do INMET, da Defesa Civil e de outros órgãos oficiais, principalmente durante períodos de calor intenso, chuva volumosa ou baixa umidade. A evolução do fenômeno deverá ser monitorada ao longo dos próximos meses, com ajustes nas estimativas para o fim de 2026 e o início de 2027.

