A irregularidade das chuvas tem motivado os produtores a redobrarem a atenção em relação à irrigação. Wander Aguilera Almeida elucida que as áreas irrigadas tendem a oferecer uma produção mais previsível, o que impacta na forma como os volumes são planejados e negociados. Em um cenário de clima instável, a água passou a ser tratada como insumo estratégico.
O Brasil conta com uma das maiores áreas irrigadas do globo, embora essa área represente uma parcela diminuta do território utilizado na produção agrícola, sobretudo no que diz respeito à produção de grãos, que é significativamente dependente das condições climatológicas. A expansão dos pivôs centrais em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia e Mato Grosso indica, contudo, uma mudança gradual nesse quadro.
O início da safra 2026/27 reacende o debate. No Mato Grosso, as primeiras áreas de soja semeadas em setembro concentraram-se em lavouras irrigadas, enquanto as de sequeiro aguardavam a regularização das chuvas. Ao longo deste artigo, entenda por que a irrigação ganha espaço, quais vantagens e desafios envolve e o que muda para a comercialização.
A irrigação como estratégia para ampliar a produtividade
O principal motivo é a redução do risco climático. Com água disponível, o produtor deixa de depender exclusivamente do regime de chuvas para plantar e conduzir a lavoura, o que diminui as chances de quebra em anos de estiagem ou de distribuição irregular das precipitações.
A irrigação, por sua vez, amplia o calendário agrícola. Áreas com pivô permitem antecipar a semeadura da soja, viabilizar uma segunda safra mais segura e, em algumas regiões, até uma terceira cultura no mesmo ano, como feijão, trigo ou sementes. O uso mais intensivo da terra potencializa a receita por hectare. Em sua análise, Wander Aguilera Almeida destaca que o período de colheita que não coincide com o pico da safra pode representar oportunidades de venda em momentos de menor oferta no mercado regional.
Outro fator a ser considerado é a produtividade. Lavouras irrigadas tendem a apresentar rendimentos mais elevados e estáveis em comparação com as lavouras de sequeiro. Ao examinar tal movimento, Wander Aguilera Almeida enfatiza que a estabilidade da produção é tão crucial quanto a produtividade máxima, uma vez que permite estabelecer compromissos de venda com maior segurança.
Os benefícios e os cuidados da agricultura irrigada
A adoção da irrigação traz vantagens claras, mas também exige atenção a aspectos técnicos, ambientais e econômicos:
- Produção mais previsível: a menor dependência da chuva reduz a variação de produtividade entre safras e ajuda a planejar volumes de venda com antecedência.
- Calendário ampliado: a possibilidade de semear fora da janela tradicional permite colher em períodos de menor oferta e diversificar as culturas da propriedade.
- Custo de energia e investimento: pivôs exigem investimento inicial elevado e consomem energia elétrica, cujo custo pesa no resultado e depende da infraestrutura disponível na região.
- Gestão e outorga da água: o uso de rios e reservatórios depende de autorização dos órgãos responsáveis e de manejo eficiente, já que a disponibilidade hídrica pode ser limitada em períodos de seca.

Esses pontos demonstram que a irrigação não é uma solução universal. Diante do acompanhamento das safras de grãos e da evolução das cotações, Wander Aguilera Almeida aponta que a viabilidade do investimento depende de uma combinação entre disponibilidade hídrica, energética, perfil de produção e acesso a mercados capazes de remunerar a produção adicional.
Tecnologia e uso eficiente da água
A expansão da irrigação vem acompanhada de ferramentas que buscam reduzir o consumo de água e energia. Sensores de umidade do solo, estações meteorológicas e softwares de manejo são ferramentas fundamentais para determinar com precisão o momento e a quantidade ideal de água a ser aplicada, evitando-se, assim, o desperdício.
O controle remoto dos pivôs, viabilizado pela conectividade no campo, permite acompanhar e ajustar a irrigação à distância. Ainda de acordo com Wander Aguilera Almeida, a combinação entre irrigação e dados de precisão tende a ampliar os ganhos da tecnologia, reduzindo custos e melhorando o aproveitamento de cada hectare irrigado.
A sustentabilidade também é um tema relevante. O uso responsável dos recursos hídricos, a convivência com outros usuários da água e a preservação de nascentes e matas ciliares são condições essenciais para que a irrigação continue se expandindo sem gerar conflitos nas bacias hidrográficas.
Água como fator de segurança na produção
A agricultura irrigada é a resposta para a instabilidade climática na produção de grãos. Além da maior produtividade, há também o calendário ampliado e a estabilidade da produção. Wander Aguilera Almeida conta com experiência no ramo do agronegócio e indica que tal tendência pode vir a impactar a distribuição da oferta de grãos ao longo do ano.
O progresso dos pivôs depende de investimentos, energia, outorgas e uso responsável da água, o que resulta em expansão gradual e concentrada em regiões com condições adequadas.
Em safras sujeitas a incertezas climáticas, como a de 2026/27, a discrepância entre áreas irrigadas e áreas de sequeiro pode não apenas afetar o volume de colheita, mas também impactar a segurança e a decisão do produtor quanto à comercialização.

