Quando a colheita termina, o produtor enfrenta decisão que impacta diretamente sua margem final: guardar a produção em silos próprios, esperando melhores preços de venda, ou entregar imediatamente a um armazém terceirizado, pagando taxa de armazenagem, mas liberando espaço e capital para o próximo ciclo produtivo sem qualquer investimento adicional em infraestrutura própria.
Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, explica os fatores financeiros que deveriam orientar essa decisão, indo além da simples comparação entre construir silo próprio e pagar por armazenagem terceirizada todos os anos de produção.
Quanto custa realmente armazenar na própria fazenda?
Parajara Moraes Alves Junior expõe que construir e manter silo próprio envolve investimento inicial significativo, além de custos contínuos com manutenção, energia para secagem e ventilação, e eventual perda por deterioração caso o armazenamento não seja tecnicamente bem executado ao longo do período em que a produção permanece guardada na propriedade.
Muitos produtores calculam apenas o investimento inicial na construção, esquecendo de incluir esses custos recorrentes de manutenção no cálculo comparativo, distorção que faz o silo próprio parecer mais vantajoso do que efetivamente é quando todos os custos são somados com cuidado. Essa distorção de cálculo pode levar a decisões equivocadas, sustentadas por números que não refletem a realidade completa do investimento.
O que a armazenagem terceirizada oferece em troca da taxa cobrada?
Armazéns terceirizados cobram taxa proporcional ao volume e ao tempo de armazenagem, mas dispensam o produtor de qualquer investimento em infraestrutura própria, além de geralmente contarem com tecnologia e controle de qualidade superiores aos que uma propriedade individual conseguiria manter com a mesma eficiência ao longo do tempo.

Segundo Parajara Moraes Alves Junior, essa terceirização também libera capital que poderia ficar imobilizado na construção de silos, recurso que o produtor pode direcionar para outras necessidades da propriedade, como maquinário ou capital de giro para o próximo ciclo produtivo. Pesar esses ganhos indiretos, e não apenas o valor da taxa cobrada, é essencial para uma comparação justa entre as duas alternativas disponíveis.
Quando vale a pena investir em silo próprio?
Propriedades com volume de produção suficientemente grande para diluir o custo do investimento inicial ao longo de vários anos de uso, e que efetivamente conseguem esperar por melhores condições de mercado para vender, tendem a se beneficiar mais da armazenagem própria do que propriedades menores ou que costumam vender assim que a colheita termina naquele mesmo ano.
Calcular o retorno desse investimento exige projetar não apenas a economia com taxas de armazenagem terceirizada, mas também o ganho potencial obtido ao esperar por melhores preços, variável que depende diretamente da capacidade financeira do produtor de aguardar sem pressão de caixa imediata. Nesse ínterim, Parajara Moraes Alves Junior aponta que ignorar essa capacidade real de esperar costuma ser o erro mais comum na hora de justificar o investimento em silo próprio.
Como decidir entre as duas opções na prática?
Simular ambos os cenários com números reais da propriedade, considerando volume de produção, capacidade financeira de esperar por melhores preços e custo efetivo de cada alternativa ao longo de vários anos, representa a forma mais confiável de tomar essa decisão com base em dados concretos, e não apenas em impressão geral sobre qual opção parece mais vantajosa à primeira vista.
Na visão de Parajara Moraes Alves Junior, revisar essa análise periodicamente, à medida que a produção da propriedade cresce ou muda de perfil, evita que uma decisão tomada anos atrás continue sendo seguida por hábito, mesmo quando a realidade financeira da propriedade já mudou significativamente desde então, tornando aquela escolha antiga menos vantajosa do que era originalmente.

