Gustavo Morceli atua há muitos anos acompanhando a incorporação de dados e tecnologias digitais no ambiente escolar, observando como a ampliação do acesso à informação nem sempre resulta em decisões pedagógicas mais qualificadas. Em um contexto marcado por dashboards, relatórios automáticos e múltiplos indicadores, cresce o desafio de distinguir aquilo que está simplesmente disponível daquilo que é, de fato, relevante para orientar escolhas institucionais e pedagógicas.
O excesso informacional cria a sensação de controle, mas pode gerar dispersão quando não há critérios claros de leitura. Muitas escolas acumulam dados acadêmicos, ambientais e operacionais sem conseguir transformá-los em conhecimento útil para o planejamento. Esse cenário exige uma mudança de postura: menos foco na coleta indiscriminada e mais atenção à interpretação estratégica da informação produzida no cotidiano escolar.
O risco da abundância de dados sem critérios de leitura
Conforme observa Gustavo Morceli, a presença de dados em grande volume não garante melhores decisões. Pelo contrário, quando a escola não define previamente o que deseja compreender, os indicadores passam a competir entre si, dificultando a identificação do que realmente importa. Informações sobre desempenho, frequência, uso de tecnologias ou condições ambientais perdem força quando analisadas isoladamente.
Esse risco se intensifica quando decisões são tomadas apenas com base no que é mais fácil de medir. Aspectos como engajamento, adaptação às rotinas e impacto territorial aparecem raramente de forma explícita nos sistemas, mas influenciam diretamente os processos de aprendizagem. A ausência de critérios transforma dados em ruído, enfraquecendo a capacidade analítica da instituição.
Informação relevante nasce de perguntas bem formuladas
Gustavo Morceli nota que a informação relevante não surge do acúmulo, mas da pergunta que orienta a leitura dos dados. Quando a escola define com clareza o que precisa compreender, os indicadores passam a funcionar como ferramentas de apoio, e não como fins em si mesmos. Perguntas bem formuladas ajudam a selecionar quais dados merecem atenção e quais podem ser descartados naquele momento.

Esse movimento exige maturidade institucional. Ao invés de buscar respostas imediatas para múltiplos problemas, a escola passa a priorizar questões centrais, como a coerência entre práticas pedagógicas e contexto local ou a relação entre condições ambientais e organização do tempo escolar. Essa postura reduz decisões precipitadas e fortalece escolhas mais alinhadas à realidade vivida.
A leitura contextual como filtro da informação disponível
Sob a perspectiva de Gustavo Morceli, o contexto escolar funciona como um filtro essencial para a interpretação da informação. Dados só ganham significado quando analisados à luz do território, da cultura institucional e das rotinas pedagógicas. Um mesmo indicador pode apontar caminhos distintos dependendo das condições sociais, ambientais e organizacionais da escola.
A leitura contextual impede que a instituição reproduza análises genéricas ou importadas de outras realidades. Ao considerar fatores locais, a escola consegue compreender limites, potencialidades e prioridades reais. Gustavo Morceli destaca que esse tipo de leitura amplia a autonomia decisória, pois reduz a dependência de modelos externos que nem sempre dialogam com o cotidiano institucional.
Tecnologia como apoio à interpretação, não como substituição do olhar humano
Nota-se que a tecnologia educacional pode ampliar significativamente a capacidade de organização e visualização de dados. Sistemas inteligentes, sensores e plataformas analíticas oferecem informações valiosas, mas não substituem a interpretação humana. Quando a escola delega totalmente a leitura à tecnologia, arrisca perder nuances importantes do processo educativo.
A integração entre dados e experiência docente fortalece decisões mais equilibradas. Professores e gestores conseguem cruzar informações objetivas com observações qualitativas, construindo uma compreensão mais ampla da realidade escolar. Gustavo Morceli sinaliza que essa combinação é fundamental para evitar decisões automáticas que desconsideram aspectos humanos e pedagógicos. Por fim, conforme conclui Gustavo Morceli, diferenciar informação disponível de informação relevante tornou-se uma competência central para as escolas contemporâneas.
Autor: Melana Yre

